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sexta-feira, 11 de abril de 2014

As perguntas da madrugada.



Existem momentos na vida em que nos vêm à cabeça perguntas que parecem um pouco sem sentido.

Chegam-nos por via das dúvidas que surgem depois de um mau dia fora de casa, depois de uma discussão mais acesa com um familiar ou depois de algo que aparentemente fazia sentido na nossa vida, deixar de o fazer, de um momento para o outro. 

Essas perguntas, a mim, chegam-me de madrugada, quando sou atacada pelas insónias e o sono não vem. 

Fico às voltas na cama, a ver as perguntas surgirem-me na cabeça quando faço tudo para as tentar fazer desaparecer. 

Sim, porque geralmente, as perguntas que me surgem são aquelas para as quais eu não tenho resposta.

São aquelas perguntas que teimam a aparecer quando tudo parecer estar a correr bem, relembrando-nos que, apesar de tudo, ainda não temos respostas para aquilo que nos atormenta. 

Por exemplo: 

Pergunto-me muitas vezes porque é que as pessoas têm que ser tão preconceituosas e mesquinhas ao ponto de nos atirarem a cara que o facto de alguém ter excesso de peso ou falta dele, vestir-se duma ou de outra forma, ter ou não ter tatuagens, usar ou não piercings, os impede de arranjar trabalho. 

Claro, não culpam os políticos, não culpam a crise económica e social pelo qual o país está a passar, não culpam o sistema que só é bom para quem tem cunhas, culpam sim, quem procura trabalho e não o encontra porque é gordo, magro, alto, baixo, homem ou mulher.

Alguém me explica onde é que isto faz sentido?!

Juro que por mais que tente, não consigo perceber o que faz com que alguém que fuja ao dito "padrão de beleza da sociedade moderna" tenha mais ou menos oportunidades de emprego, seja mais ou menos competente no cargo para o qual se candidata. 

Se seguirmos esta lógica, acho que em vez de nos inscrevermos no centro de emprego, e deixarmos lá o nosso currículo, mais valia estarmos inscritos numa agência de modelos e deixarmos lá o nosso book, para que assim esta recrute trabalhadores consoante o "padrão de beleza" exigido pela empresa. 

Se assim fosse, poupavam-me trabalho a enviar currículos. Pelo menos iria saber, consoante o "padrão de beleza" no qual me insiro, para que função estaria apta. 

Acreditem, isto não são frustrações duma jovem que não tem mais nada para fazer à vida a não ser levantar questões parvas. 

São sim sentimentos de alguém, que está constantemente a ser "atacada" e "julgada" por ser excepção à regra. 

E acreditem, isso tira-me profundamente do sério.

Porque começo a pensar que aqui para os meus lados, fugir a essa regra exigida de pertencer ao "padrão de beleza da sociedade moderna" é mais criminoso do que os constantes cortes salariais a que a função pública e os pensionistas estão sujeitos.

É mais criminoso do que o aumento de impostos, do que a taxa de desemprego que não pára subir e do que o número de pessoas, cada vez maior, que se aventuram na emigração, na tentativa de encontrarem uma vida melhor lá fora. 

E em pleno século XXI, onde, supostamente, estamos a viver num país europeu desenvolvido, esta mentalidade antiquada, preconceituosa e ridícula, tira-me complemente do sério.


«Sandy»

As pessoas julgam a aparência, mas esquecem-se que o mal da sociedade são as pessoas sem carácter.

Renato Russo

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

OBRIGADA BOMBEIROS DE PORTUGAL!


Hoje em dia, cada vez mais, me custa ligar a televisão e ver notícias.

Pode parecer estranho mas é a realidade.
 
Somos bombardeados com desgraças atrás de desgraças durante grande parte do boletim informativo e a forma como tudo é abordado, tira-me do sério.
 
São incêndios atrás de incêndios, bombeiros feridos, bombeiros que não se conseguiram salvar e acabaram por falecer.
 
O que mais me tira do sério e me deixa indignada é a forma desinteressada e ridícula com que os nossos governantes falam da situação.
 
Até quando é que estes heróis vão sofrer as consequências da má gestão de território levada a cabo pelos nossos governantes e dirigentes partidários?

Até quando é que vão morrer e ficar feridos bombeiros, sem que aqueles que nos governam lhes darem a devida importância?

Até quando é que incompetência dos nossos políticos vai continuar a ceifar vidas?

Até quando é que as pessoas vão ser tratadas como números, como estatísticas, como a média e moda num programa duma série de acontecimentos?
 
As pessoas não são números senhores governantes.
 
Isto não é um CENSO qualquer onde preenchemos umas folhinhas para sabermos quantos somos.

Isto são VIDAS!
 
VIDAS interrompidas por falta de competência de quem gere este país e que supostamente nos deviam PROTEGER!

Isto são VIDAS ceifadas por causa dos cortes orçamentais, dos cortes nos salários, dos cortes na segurança, dos cortes em tudo e mais alguma coisa menos no vosso bolso!
 
São VIDAS que terminam porque as regras não são cumpridas, são vidas perdidas porque o vosso amor ao dinheiro fala mais alto do que vosso amor à vida de quem vos defende!
 
PREVENÇÃO e FORMAÇÃO são as palavras adequadas meus senhores!

Importem-se menos em encher os vossos bolsos e mais em tomar conta de quem nós defende e põe a vida em risco para nos salvar!

É triste e vergonhosa a atitude desinteressada com que assuntos tão graves como estes são tratados nos mais diversos meios de comunicação e pelos dirigentes do nosso país.

É de lamentar que seja mesmo verdade que as primeiras páginas dos jornais dão mais importância a notícias fúteis, que em momentos como estes não fazem qualquer sentido, do que à realidade do que se passa no nosso país e com aqueles que dão a vida por nós, que põem a vida ao serviço da pátria e que tão maltratados são por aqueles que nos governam.

É uma vergonha que não tenha sido declarado luto nacional.

É uma vergonha que corruptos e ladrões sejam enaltecidos em praça pública enquanto que aqueles que não são corruptos e não se deixam vender, apagam o fogo e perdem as suas vidas para ajudar o outro.

É triste e revoltante que todos os bombeiros sejam tão maltratados nas mãos destes governantes.

Estou indignada, revoltada, triste, decepcionada com a forma como estes HERÓIS/HEROÍNAS, que dão a vida por nós são tratadas.

Neste momento, só me resta dar os meus sentidos pêsames aos familiares e amigos de quem perdeu a vida e desejar muita força e coragem àqueles que ainda se encontram hospitalizados, assim como às suas famílias e amigos.


OBRIGADA POR TUDO BOMBEIROS DE PORTUGAL!

“NECESSITAM-SE DE POLÍTICOS VOLUNTÁRIOS QUE FAÇAM PELA NAÇÃO O QUE OS BOMBEIROS FAZEM PELA POPULAÇÃO!”


«Sandy»

terça-feira, 18 de junho de 2013

Mudança? Para quando?


E hoje parece que estou com "alma" de "revolucionária". 

Apeteceu-me escrever, não só sobre o Brasil, mas também sobre Portugal.

E agora vocês perguntam, escrever porque e sobre o quê? 

Escrevo hoje porque, dia 17 de de Junho de 2013, muito se falou da greve dos professores neste país à beira mar plantado.

E porque é que a greve causou tanta polémica? 

Porque a fizeram no dia do exame nacional de 12º ano de Português, exame esse que pode decidir, em muitas das vezes, o futuro dos alunos que querem ingressar no ensino superior.

Não pensem que escrevo para criticar a decisão tomada pelos professores, não é isso que pretendo.

Não os vou criticar, vou sim apoiá-los e dizer ainda mais do que isso, a greve, não devia ter sido feita apenas por eles, devia também ter sido feita pelos alunos, porque alguém neste país precisa de tomar uma atitude, sair à rua, mudar e mostrar a indignação.

O nosso ministro da educação, criticou a medida tomada pelos professores, disse que só os alunos estavam a ser prejudicados, mas esqueceu-se disso no dia em que decidiu criar os mega-agrupamentos de escolas, quando cortou o apoio social e o passe escolar.

Onde morava essa preocupação toda no dia em que se cortou nos horários aos professores, no dia em que as turmas passam a ter perto de 30 alunos onde é praticamente impossível apoiar um aluno que tenha mais necessidades?

Estudo desde os meus 6 anos, estou neste momento, com 22 anos, prestes a acabar o ensino superior, e eu própria já estou condenada ao desemprego, assim como os professores que têm por base ensinar-nos e ajudar-nos a evoluir como estudantes.

Sou a favor de que devemos lutar pelos nossos direitos, fazer barulho, ir à luta e nunca baixar os braços até vermos mudanças.

Sou a favor duma sociedade justa, onde a qualidade do ensino não seja comprometida por medidas estúpidas e sem sentido, tomadas por governantes ignorantes que se estão a lixar para o povo que sofre com as consequências dos actos em que eles não pensam.

Sou a favor dos professores, dos alunos, da educação e sobretudo da qualidade da educação neste país.

Sou a favor de um futuro para os meus filhos e netos, que não seja tão precário como o meu.

Sou a favor da justiça social e das mudanças políticas, pois isto não pode continuar assim.

Sou a favor de que olhem para a população portuguesa com olhos de ver e que não olhem para nós apenas como números no instituto nacional de estatística.

Se neste momento fosse aluna do ensino secundário, unia-me aos meus professores e ia com eles para a rua reivindicar os meus direitos como cidadã e como estudante. (Fenprof estima que 90% dos professores fizeram greve.)

Na minha opinião, hoje, ou faziam exame todos os alunos ou não fazia nenhum. 

Parece bonito dizer-se que 76% dos alunos fez exame nacional, apenas se esquecem dos restantes 24% que estudaram e ficaram às portas das salas à espera que algo acontecesse. (Governo diz que 76% dos alunos fizeram exame de português.)

Irónico será dizer que o tema da composição deste ano se intitulava: “A juventude é uma fase da vida frequentemente associada à esperança e à vontade de mudança.”. (Estudantes usam composição para criticar exame.)

A minha reflexão sobre este tema irá ser escrita, porque mesmo não sendo aluna de secundário, garanto-vos que tenho muito a dizer acerca dele.

«Sandy»

E o Brasil, Acordou.



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POR FAVOR VEJAM O VÍDEO ACIMA E PARTILHEM! 
VAMOS AJUDAR À MUDANÇA! 

Porque não há nada como as redes sociais para divulgar o que se passa no mundo. 

Para ajudar, basta partilhar! :)


#ChangeBrazil #AcordaBrasil #ForçaBrasil


Eu não sou brasileira, mas como cidadã do mundo, isto não podia passar ao lado.


Digo sinceramente que são precisas mais pessoas assim, não só no Brasil, mas também em Portugal, para tentarmos, de alguma forma, mudar o rumo das coisas...


Porque o sistema politico não pode ter todo o poder e estar a lixar-se para o povo, que os sustenta.


Os políticos não podem fazer tudo o que querem sem ouvir a voz do povo!


Pessoas destas e manifestações destas precisam-se! Cada vez mais!


Porque para mudar o rumo de politicas estúpidas e sem sentido, que só servem para encher os bolsos a quem nos governa, alguém tem que sair à rua e mostrar a indignação.


Sou portuguesa, mas apoio-vos nesta luta!


Muita força a todos os que estão na rua a mostrar a sua indignação!


Espero que tal como o Brasil, também Portugal acorde.


Porque nós, o povo, que é sempre prejudicado pelos políticos, não merecemos a forma como somos tratados.


Não merecemos ser convidados a sair do nosso país, a abandonar a nossa pátria, a nossa família, a nossa vida, pelos simples facto de nos estarem a condenar a não termos futuro no nosso país.


Não merecemos ser maltratados por uma classe politica que se esta a lixar para nós, que somos quem leva o país para frente.


E quando o meu país sair à rua, sairei também, porque sou mais uma das pessoas que está condenada à precariedade e à falta de oportunidades neste país à beira mar plantado.


E isto não pode continuar assim.




«Sandy»

quarta-feira, 27 de março de 2013

O "perigo" das generalizações.






Depois de ter visto tanta indignação dirigida à reportagem da TVI, decidi vê-la e perceber o porquê disto estar a acontecer.

A reportagem, não diz nada para além da verdade, embora eu ache que quando se mostram os exemplos menos bons da nossa juventude, mesmo sendo isso que vende e que dá audiências, deve-se também mostrar aquilo que temos de bom e de melhor.

Generalizar só trás indignação, má disposição e acima de tudo, mal entendidos.

Depois do que vi, sinto-me muito bem comigo mesma, por ser uma excepção àquela que mostram como a regra do nosso país.

Só tenho a agradecer a quem me educou, aos meus avós, à minha mãe e à minha restante família que sempre tive por perto. A sério, sinto-me mesmo feliz por não me enquadrar no grupo de jovens que está idealizado na reportagem.

Numa sociedade onde o sexo está cada vez mais banalizado, e onde miúdas cada vez mais novas andam com roupa cada vez mais curta, consigo perceber o porquê desta generalização.

Percebo porque esta é a regra da sociedade, percebo porque é com estas imagens que somos bombardeados não só na televisão, mas também nas revistas e nos locais públicos.

Percebo, mas não acho bem nem concordo com a generalização.

Porque no meio de tanta coisa má, há sempre alguém que se destaca pelo lado positivo.

Há sempre alguém que é diferente e que não vive para dar nas vistas ou chamar à atenção.

Muita da culpa do que está demonstrado na reportagem é dos pais de quem lá está a dar a cara.

Não me venham com tretas a dizer que a culpa é dos “Morangos com Açúcar”2, da “Casa dos Segredos” e do “Big Brother”.

A TVI não obriga ninguém a ver tais programas. Vocês vêem porque querem.

Admito, também tive a minha altura de os ver, mas tenho 21 anos e não acho que tenha sido por causa disso que comecei a sair com roupa curta, a meter-me com cada gajo que me aparece à frente ou a apanhar bebedeiras em cada saída à noite.

Muito pelo contrário, saio à noite para me divertir e não para ficar bêbeda, sou exigente e tenho amor-próprio suficiente para saber dizer “NÃO” à quantidade de imbecis que aparecem na noite e que só querem cama, valorizo-me ao ponto de saber “chamar à atenção” sem precisar de usar roupa curta ou saltos altos.

Para mim, boa conversa atrai muito mais que pouca roupa.

É triste ver como os nossos jovens são caracterizados, é triste ver que para além duma crise financeira, cada vez mais existe uma crise de valores neste país.

Mas, apesar de tudo isto, sinto-me feliz, porque sei que não sou em nada parecida com esta generalização.

Gosto de ser a “anormalidade”, pois aquilo que está representado na reportagem é cada vez mais a “normalidade” neste país.

Como li num comentário na página da TVI, “Façam uma reportagem com cinco miúdas com alguma cabecinha e coerência. Eu sei meus senhores, eu sei que Portugal foi trespassado ao pessoal da mini-saia e do engate, mas podemos voltar a trespassá-lo ao pessoal do pijama e da pantufa? É tão mais importante almoçar valores e jantar valores do que ouvir a famosa conversa do "tomamos um cafezinho e logo se vê." Vamos acordar, minha gente.”. 

Eu não podia concordar mais com isto, porque tem que se mostrar que ainda há excepções à regra.

E orgulho-me de puder dizer que sou uma delas. 

«Sandy»

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Planos? Futuro? Que futuro?


Já faz imenso tempo desde a última vez que aqui escrevi... 
Há tanto tempo que tenho o blog parado, e hoje decidi dar-lhe um pouco de vida... 

Ou pelo menos tentar fazê-lo...

No momento em que escrevo este texto, mil e uma coisas me passam pela cabeça e parece que a minha vida não faz qualquer sentido. 

A dúvida do futuro permanece e atormenta-me todos os dias. Penso comigo mesma se serei algum dia capaz de realizar tudo aquilo que desejo, todos os meus sonhos e espectativas. 

Depois de tantas vezes dizer a toda a gente para ter “pensamento positivo”, não entendo o porque de dúvidas como estas me perseguirem em cada passo que dou, em cada porta que se fecha ou janela que se abre.

Nunca gostei de ter dúvidas.

Sempre gostei de dar respostas aos meus problemas e das certezas que tinha na minha vida. Sempre gostei de saber o rumo que levava e ter os meus planos em ordem.

Mas parece que isso mudou e vai continuar a mudar, e começo a pensar para que servem os planos que fazemos se quase sempre eles nos saem furados?

Pensar no futuro torna-se uma tarefa cada vez mais complicada, porque da forma que isto está, não me vejo com qualquer futuro por aqui por estes lados.

Tenho, e sempre tive, a ambição de sair daqui, de deixar este país e ir explorar o que para mim ainda permanece desconhecido. Acho que nunca fui conhecida pela minha capacidade de gostar de estar presa ao que quer que seja, muito menos a Portugal.

Se neste momento me fizessem a pergunta: “Onde é que te imaginas daqui a 5 anos?”, acho que a resposta que dava era que me imagino em qualquer parte do mundo menos aqui.

A questão que viria a seguir, suponho eu, seria “Porque é que daqui a 5 anos não te imaginas no teu país?”

A resposta, também não me parece muito difícil, embora não seja aquela que a maior parte das pessoas quer ouvir.

Sim, porque ouvir as verdades, na maior parte das vezes, custa, e custa muito isso vos garanto.

Admito que na minha visão das coisas, é triste ver uma jovem, de 21 anos, prestes a terminar uma licenciatura, pertencente aquela que é considerada da geração mais qualificada que Portugal algum dia teve, ter uma declaração destas.

Mas é a realidade, pura e dura, para grande parte dos jovens da minha geração, que se vê encurralado num país onde as saídas são cada vez menos, a não ser quando são saídas para além das fronteiras do país ao qual chamamos lar.

Não sou, nem nunca fui, nacionalista ao ponto de não abrir horizontes além-fronteiras, mas o que realmente me custa, é ver que desta forma, pouco ou nada este país vai avançar, numa época tão difícil como aquela que estamos a viver.

Sempre me disseram “os jovens são o futuro do nosso país”, “vocês são o futuro, a mudança”, mas se o nossos “queridos” governantes (sim, digo isto de forma muito irónica, porque de “queridos” eles não têm nada) nos aconselham a emigrar e dizer adeus às nossas origens, como podemos ser nós a mudança e o futuro do nosso país?

Queremos trabalho, pedem-nos experiência, que nós não temos, mas que também ninguém nos quer dar;

queremos sair de casa dos pais, não podemos porque não temos trabalho; 

queremos ser independentes, ter a nossa vida e viver de forma digna e não deixam que tal aconteça porque neste país não há futuro para os jovens, não há futuro para os desempregados, para os idosos ou para a gerações futuras porque nos impedem de o tentar criar, tirando-nos a esperança de que algum dia isto irá melhorar. 

Fecham-nos as portas, e não nos abrem janelas, encurralam-nos num presente sem respostas, apenas com a dúvida sempre presente: “O que vou fazer da minha vida quando acabar o meu curso?” ou “O que vou fazer da minha vida agora que fiquei desempregado com 45 anos?”.

É triste, revoltante e desanimadora a situação que nos apresentam todos os dias.

É triste não ver um futuro digno para mim (e para milhares de jovens como eu) neste país, vai ser triste dizer adeus a tudo o que aqui tenho, no dia em que como muitos outros que partem rumo ao desconhecido, vou ter que tomar a decisão de o abandonar, sem olhar para trás, apenas com a mágoa sempre presente, que não vou puder ter um futuro no meu país porque me impediram disso.

Vai ser difícil dizer “até já” (porque “adeus”, para mim, é demasiado definitivo), há minha família, aos meus amigos, a cidade que tanto amo, a tudo o que conquistei durante a minha vida aqui.

Mas o mais difícil de tudo, vai ser o dia em que voltar aqui e ver que nada mudou e tudo permanece no sitio onde estava quando parti, na incerteza do futuro e na dúvida se algum dia isto irá mudar.

«Sandy»

quarta-feira, 16 de março de 2011

"E o povo, pá?"



Qual é a situação real do nosso país? 
Esta deve ser a pergunta que mais vezes é feita pelos portugueses… 

Não sou economista, nem percebo de economia, não tenho ideologia política e também não percebo de política… 

Sou da considerada “Geração á Rasca”, e isto deve querer dizer alguma coisa, pois quando saem perto de 300 mil pessoas a rua alguma coisa não está bem (A adesão à manifestação da «geração à rasca» ultrapassou largamente os números inicialmente previstos, com cerca de 300 mil pessoas em todo o país…). 

Mas não é só a minha geração que está a rasca, são as várias gerações que estão cada vez mais com a “corda ao pescoço” onde o “cinto apertado” não vale de nada.

Veio ontem (14-03-2011) o nosso primeiro-ministro falar aos portugueses e dizer que não precisamos de ajuda externa, quando ainda há pouco tempo este se reuniu com a chanceler Alemã, a senhora Merkel, de forma a pedir ajuda e apoio a Alemanha… (O primeiro-ministro, José Sócrates, vai encontrar-se na próxima quarta-feira, dia 2 de Março, com Angela Merkel para aproximar posições sobre a reforma do fundo de socorro do euro num contexto de forte especulação sobre a possibilidade de Portugal estar já a negociar alguma forma de assistência financeira.). 

Se isto não é ajuda externa, então não sei o que será, mas provavelmente será o Fundo Monetário Internacional (FMI)… 
Quando o primeiro-ministro diz que a oposição ao não aprovar as medidas que o governo propõe está a criar uma crise política, eu pergunto-me, mas já não estamos perante uma?

Manifestações das “Gerações á Rasca” com 300 mil pessoas na rua, transportadoras e camionistas parados por tempo indeterminado (Segundo a RTPN, as 600 empresas de transportes decidiram fazer uma paralisação, por tempo indeterminado, a partir das 00h00 de segunda-feira.), greve do metro de Lisboa (Os trabalhadores do ML estiveram hoje em greve entre as 06:30 e as 11:00 para protestar contra os cortes salariais impostos pela Lei do Orçamento do Estado, uma paralisação que, contou com uma adesão superior a 90 por cento.), greve dos Comboios de Portugal (Os maquinistas decidiram avançar para a greve, das 05.00 às 09.00 do dia 23 de Março. Os maquinistas farão greve nesse período de trabalho, na sequência de uma reunião que foi inconclusiva.) e dos transportes colectivos (Cerca de 90 por cento dos trabalhadores da Sociedade dos Transportes Colectivos do Porto (STCP) aderiram à greve às horas extraordinárias…), um plenário com mais de 9 mil professores no Campo Pequeno (Nove mil professores de vários níveis de ensino e de norte a sul do país encheram hoje a sala de espectáculos do Campo Pequeno para contestar a política do Governo e aprovar o reforço da greve às horas extraordinárias.). 

Se isto não é uma crise política, então eu não sei mesmo o que é uma…
Ouço notícias que a meu ver são ridículas e cada vez mais acredito que este país é só para os ricos… 

O IVA desce de 23% para 6% para actividades como o golf, (Com as recentes alterações às tabelas de IVA, a prática de golfe passou a ser tributada à taxa máxima de 23%. Agora, o Governo prepara-se para abrir uma excepção, aplicando-lhe de novo a taxa mínima de 6%.), um desporto que eu considero elitista e que só os ricos frequentam, enquanto os ginásios, recomendados por médicos, devido às elevadas taxas de obesidade no nosso país, e para melhoria da nossa qualidade de vida, continuam a ser taxados a 23%... (Todas as actividades dos ginásios, seja com acompanhamento de professores, seja a prática solitária de actividade física, terão de ser taxadas a 23% de IVA, sem que exista qualquer excepção à taxa máxima do imposto.

Se isto não é ridículo, não sei o que será, talvez as cartas de amor como diz o poeta…

Nestas alturas questiono-me, tal como a música dos Homens da Luta, “E O Povo, Pá?”, o povo que sai a rua e se manifesta contra a situação precária deste país, contra o desemprego e contra a corrupção, o povo que é prejudicado cada vez que são postas em práticas medidas ditadas pelo governo, o povo da classe média e média baixa que paga a factura… 

Porque nestas alturas, a classe média e média baixa são sempre as mais prejudicadas, enquanto os outros estão muitos felizes, nas suas casinhas, a ver as manifestações e protestos na TV como se fossem partidas de carnaval…


«Sandy»

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

23/01/2011 "O dia da decisão".

Hoje (23-01-2011) foi o dia da decisão… 
Aquele dia em que as pessoas que tanto se queixam poderiam ter mudado a situação mas não o fizeram… 

Não estou aqui a defender ideologias políticas, não estou a defender partidos, até porque eu não tenho nem ideologia nem partido, estou apenas a dar a minha opinião e como estou num país livre sei que o posso fazer…

É difícil de compreender como um país que tanto reclama por mudança, não toma nenhuma atitude para mudar… 
Sinceramente, como é que vamos para a frente se continuamos a por no poder aqueles que nos puseram no sitio onde estamos hoje? 

Posso não perceber nada de politica, o que é o caso, mas com tantas manifestações que se vêem nos noticiários, com tantas críticas ao governo e ao presidente da república, continuo a não entender como o foram lá por outra vez!

Pura e simplesmente, sem comentários! (Tal como o nosso presidente da república costuma dizer!)

Num país onde a abstenção tem maioria absoluta, não entendo como é que se pode governar! (53,37%, a maior abstenção em eleições presidenciais democráticas. VS “Cavaco Silva foi reeleito Presidente da República, fugindo a uma segunda volta. Obteve 52,94%”

É caso para dizer, deixem a abstenção governar que pior que está é um bocadinho difícil!

Embora não entenda nada de politica e não acredite nos políticos, para mim todos eles são ladrões, e foram eles que levaram o país ao fundo (provavelmente ainda chegaremos mais ao fundo, uma vez que, isto não dá ares de melhoras…), de certeza que alguns dos que criticam a situação do país (antes e depois da eleições; não me incluo nesse grupo, uma vez que não votei no partido que está no governo, nem no presidente da república actual) muito provavelmente votaram naqueles que estão no poder, naqueles que se queixam que não há crianças para renovação de gerações e aprovam o aborto, naqueles que tanto se queixam que não há crianças, e não apoiam as pessoas que as tentam ter através de inseminação artificial, naqueles que cortam o abono de família, que nem no tempo da ditadura de Salazar se viu tal… 

Votam naqueles que nos sobem impostos, que roubam aos pobres para dar aos ricos, pois enquanto o bolso deles se enche as custas do povo, o povo que trabalha todos os dias, a receber ordenado mínimo, não tem dinheiro para pagar as contas e passam fome, enquanto os nossos “queridos” governantes comem manjares as nossas custas… 

Vemos estes senhores a queixarem-se das altas taxas de desemprego, mas facilitam ainda mais os despedimentos nas empresas, não atribuindo as justas indemnizações aos que são despedidos…

Queixam-se das altas taxas de criminalidade, mas num país onde as leis estão a favor do corruptos e dos criminosos como é que pode haver justiça? 

Congelam as progressões na carreira, impõem a avaliação de professores mas num país onde a palavra de ordem é “cunha” como pode alguém ter esperanças de chegar a algum lado sem ter um empurrãozinho por trás? 

Claro que num país assim é difícil chegar a algum lado!

Mas uma coisa é certa, se as pessoas querem mudar, mudem, saiam de casa, manifestem-se, pois neste momento, cada vez mais acho que vivemos num país de burros, que têm as palas a frente dos olhos e não se levantam do sofá para se fazerem ouvir!

Eu bem sei que o sofá é bem mais confortável, mas enquanto o povo não se unir numa só voz, e enquanto o povo só tiver garganta e nada fazendo para mudar, esperar sentados é o melhor, pois de pé de certeza que se vão cansar… 

Mas espero que se lembrem duma coisa, sem trabalho e esforço não conquistamos nada, e isto é vida real, não as novelas que passam na televisão onde existe um “ e foram felizes para sempre”… 

Na vida real, ou se vai a luta, ou não há mudança, portanto, se é mudança que querem, comecem a lutar por ela, pois se não o fizerem, já não haverá quem nos salve… 

Até que esse dia chegue, tudo vai ficar na mesma, onde só falar não chega…

«Sandy»